ANA CAROLINA DESABAFO

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sábado, 22 de dezembro de 2012

Agricultores do Nordeste pedem em Brasília a renegociação de dívidas e mais acesso a crédito


Integrantes do Movimento dos Agricultores Endividados do Nordeste fizeram nesta terça, dia 4, uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Eles fecharam a pista de acesso e cobram auxílio do governo federal para a o perdão ou a renegociação das dívidas de cerca de 500 mil produtores da região, contraídas de empréstimos concedidos pelo Banco do Nordeste.


O total dos débitos é de aproximadamente R$ 10 bilhões. Outra reivindicação é por crédito emergencial para a agropecuária. Um documento com os pedidos será entregue à presidente Dilma Rousseff.

– Nós esperamos que ela receba todos esses agricultores, fale como o presidente Lula falou e diga que vai resolver de uma vez por todas a situação do Nordeste. E resolva – declarou o líder do movimento, Chico da Capial.

A manifestação iniciou pela manhã no Planalto, durante a solenidade que de entrega da casa de número 1 milhão do programa Minha Casa Minha Vida. No final do evento, ao subir a rampa para voltar ao seu gabinete, a presidente foi alertada pelo chefe da segurança e parou para ver a manifestação e questionar sobre do que se tratava.


Com chapéus de palha, os manifestantes portavam faixas com dizeres como: "Presidente Dilma nos socorra"; "Não à discriminação aos agricultores" e "Sem financiamento é sem produção".

– Infelizmente as pessoas aqui não tem acomodação e nós pretendemos ficar aqui acampados na porta do Palácio – disse o diretor da Cooperativa Agropecuária Mista da Região de Irecê (BA), Everaldo Dourado.

Desapropriação de terras

Alguns produtores relataram ter feito os empréstimos há mais de dez anos e, sem condições de pagar, devem até R$ 200 mil. Segundo os manifestantes, o Banco do Nordeste estaria tomando terras dos produtores rurais em desacordo com o Acórdão 834/2011 do Tribunal de Contas da União.

O documento prevê que as dívidas de, no mínimo, R$ 10 mil devem ser perdoadas. Conforme os manifestantes, o próprio manual do banco estabelece uma série de medidas para executar dívidas acima de R$ 15 mil, como apresentação de históricos e justificativas, e que estariam sendo descumpridas. Muitos agricultores contam ter sofrido ameaças e tiveram as terras leiloadas por não terem pago os empréstimos.

Para simbolizar a seca, os trabalhadores empilharam esqueletos de crânios dos animais em frente ao palácio.

– Acham que só tem desgraça longe, o Nordeste é o Haiti brasileiro. Queremos medidas concretas para melhorar nossas condições – disse Fernando Melo, produtor rural de Arapiraca (AL), que possui uma dívida de R$ 35 mil com o banco.

O secretário nacional de Relações Político-Sociais da Secretaria-Geral da Presidência da República, Wagner Caetano, propôs aos manifestantes uma reunião nesta tarde com os ministros do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho. No entanto, ele disse que não houve consenso.

– Eles têm muita divergência entre si, não conseguem chegar a um acordo. Não dá para receber todos, pedimos que formem uma comissão que os ministros estão dispostos a recebê-los – disse Caetano.

No fim da tarde de terça, a Presidência da República comunicou que os manifestantes serão atendidos pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, responsável pela articulação entre governo e movimentos sociais.









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